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O GALINHO: JORNALISTA MARCOS CALAÇA
 


bbbbbnnnnn



Escrito por MARCOS CALAÇA às 16h21
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nnmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm



Escrito por MARCOS CALAÇA às 16h13
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bbbbb



Escrito por MARCOS CALAÇA às 16h12
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AS ANDORINHAS DE VOLTA

Por vários anos a torre da igreja serviu de abrigo para o bando de andorinhas que viviam tranquilas sem que fossem perturbadas pela população. Durante as décadas de 1960 e 1970, esses pássaros nômades só eram incomodados quando algum sacristão começava a tocar o sino.

Durante o verão aumentava a quantidade dessas aves que proporcionavam lindos espetáculos de acrobacias e que iam e vinham com suas reviravoltas nos céus do conglomerado apostólico do padre Antas. As revoadas eram bonitas, principalmente, no crepúsculo solar procurando a torre da igreja para o repouso da intuição da natureza.

O fenômeno natural desses pássaros se prolongou por vários anos. Na minha intuição, desconfio que as andorinhas desapareceram, temporariamente, por dois motivos: São aves de migração e a invasão dos pardais. Elas nunca deveriam ter saído do velho abrigo, poi



Escrito por MARCOS CALAÇA às 13h00
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[Alencar Costa (Zé Gordo de Joaquim Amazio)][jalecosta@gmail.com] 
Marcos, tudo bem? lendo sua crônica "Nunca mais: Decada de 70" me lembrei de uma pessoa que todos nós (falo da geração) convivemos. Trata-se de "Pedrinho de Elvira", e revirando meus arquivos encontrei uma poesia que meu irmão Ibani fez. Estou tomando a liberdade de te envia. um grande abraço daqui de Belém com votos de um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. EPITÁFIO Ibani Costa Grosseiros dedos que dançavam mansos Assanhando uma viola, Voaram, Voaram, Voaram... Serena voz varando noites claras Calou, e seu violão Chorou, Chorou, Chorou... O eco aberto da risada larga Quando contada a piada, Calou, Calou, Calou... O gesto amigo na sinceridade, Sem a festa das serestas Voou, Voou, Voou... A arte nata, a esperança menina Foi procurada, mas, ele Ninguém viu, ninguém viu... Na esquina do destino, uma neblina O envolveu, e ele Subiu, Subiu, Subiu... Ninguém viu. Voou, calou Chorou, Sofreu, morreu, Subiu, Ninguém viu, Ninguém... 

21/12/2009 11:10


Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h37
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nnnn



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h10
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TUDO ISSO LEMBRA COISAS DO MEU TORRÃO

Canjica e pamonha
Angu e mungunzá
Xiquexique e jurema
Mandacaru, mocó e preá
Cacimba e cacimbão
Tudo isso lembra
Coisas do meu torrão.

Burro e carroça
Chiqueiro de vara
Cabra e bode
Queimação de coivara
Café batido em pilão
Tudo isso lembra
Coisas do meu torrão.

Tem catingueira e juazeiro
Brincava com galinha de pereiro
Na caatinga também tem
Umbuzeiro e marmeleiro
Árvores do velho sertão
Tudo isso lembra
Coisas do meu torrão.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h08
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TUDO ISSO LEMBRA COISAS DO MEU TORRÃO

Canjica e pamonha
Angu e mungunzá
Xiquexique e jurema
Mandacaru, mocó e preá
Cacimba e cacimbão
Tudo isso lembra
Coisas do meu torrão.

Burro e carroça
Chiqueiro de vara
Cabra e bode
Queimação de coivara
Café batido em pilão
Tudo isso lembra
Coisas do meu torrão.

Tem catingueira e juazeiro
Brincava com galinha de pereiro
Na caatinga também tem
Umbuzeiro e marmeleiro
Árvores do velho sertão
Tudo isso lembra
Coisas do meu torrão.

Capinadeira corta a terra
Conhecida como arado
Parece que vai chover
O terreno está preparado
Chuva, relâmpago e trovão
Tudo isso lembra
Coisas do meu torrão.

Espingarda de soca
Pólvora, chumbo e espoleta
Tem cavalo e vaqueiro
Também tamborete e maleta
Chapéu, cangalha e gibão
Tudo isso lembra
Coisas do meu torrão.

Tem a casinha de taipa
Faca, foice e facão
O vento norte e lagarta de fogo
O violeiro toca uma canção
O matuto pede bis no refrão
Tudo isso lembra 
Coisas do meu torrão.

Enxada e picareta
Galinha na panela de barro
Água fria na quartinha
Palha para fazer o cigarro
No almoço tem melão
Tudo isso lembra
Coisas do meu torrão.

O forró é o pé de serra
Com lamparina e candeeiro
O xote levanta a poeira
Tem sanfoneiro e zabumbeiro
Também a dança do baião
Tudo isso lembra 
Coisas do meu torrão.

Sou poeta matuto
Declamo a cultura nossa
Pode ser em verso ou prosa
Também sertanejo da roça
Defensor do meu sofrido sertão
Por favor, me ajude a defender
As coisas do meu torrão.

Marcos Calaça, jornalista cultural (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h07
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NO DIA DA POESIA

QUANDO MENINO

Garoto que nunca tomou banho de bica
Que nunca brincou de tica
Mexeu em ninho
De um casal de passarinho

Brincou de vaca de osso
Tomou banho num poço
Atravessou um passadiço no mato
Com um cachorro cheio de carrapato

Na trilha armou um quixó
Para pegar preá e mocó
Levou uma carreira de boi
Menino nunca foi.

ESPERANÇA

Sou a fé do sertanejo
Não tem água no barreiro
Tudo está seco
Verde só o pé de juazeiro.

Sou o pé de umburana
Espinho de quixabeira
A flor de sodoro
A cobra traiçoeira.

Sou o pé pé de jurema
O espinho vargeiro
O calor escaldante
O galho do umbuzeiro.

Esperando pela chuva
Nas caatingas do sertão
Para tudo ficar verde
Coisa linda do meu torrão.

VELHA GERAÇÃO

Sou a piaba faminta
Que se pegou no anzol,
No antigo açude de Odilon.

Sou o leito do rio seco
Brincadeira de menino,
Gaspar Lopes é o seu nome.

Sou a caipora
E o fogo de batatão,
O medo noturno é grande.

Sou a panela de barro
No velho fogão de lenha,
Galinha caipira é o almoço.

Sou o boi procurando alimento
Na capoeira cinzenta,
A seca é braba.

Sentado no tamborete quebrado
Cigarro de palha e 'goipada',
Feliz na casinha de taipa.

Sou o barracão caído
Sábado é dia de feira,
o jegue é o transporte.

PORTEIRA VELHA

Minha velha porteira
Não está como deixei
Acabou-se a cancela
E também o mourão,
Não ouço mais suas batidas
Nem seu rangido de então.

Marcos Calaça, jornalista matuto (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 21h52
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NO DIA DA POESIA

QUANDO MENINO

Garoto que nunca tomou banho de bica
Que nunca brincou de tica
Mexeu em ninho
De um casal de passarinho

Brincou de vaca de osso
Tomou banho num poço
Atravessou um passadiço no mato
Com um cachorro cheio de carrapato

Na trilha armou um quixó
Para pegar preá e mocó
Levou uma carreira de boi
Menino nunca foi.

ESPERANÇA

Sou a fé do sertanejo
Não tem água no barreiro
Tudo está seco
Verde só o pé de juazeiro.

Sou o pé de umburana
Espinho de quixabeira
A flor de sodoro
A cobra traiçoeira.

Sou o pé pé de jurema
O espinho vargeiro
O calor escaldante
O galho do umbuzeiro.

Esperando pela chuva
Nas caatingas do sertão
Para tudo ficar verde
Coisa linda do meu torrão.

VELHA GERAÇÃO

Sou a piaba faminta
Que se pegou no anzol,
No antigo açude de Odilon.

Sou o leito do rio seco
Brincadeira de menino,
Gaspar Lopes é o seu nome.

Sou a caipora
E o fogo de batatão,
O medo noturno é grande.

Sou a panela de barro
No velho fogão de lenha,
Galinha caipira é o almoço.

Sou o boi procurando alimento
Na capoeira cinzenta,
A seca é braba.

Sentado no tamborete quebrado
Cigarro de palha e 'goipada',
Feliz na casinha de taipa.

Sou o barracão caído
Sábado é dia de feira,
o jegue é o transporte.

PORTEIRA VELHA

Minha velha porteira
Não está como deixei
Acabou-se a cancela
E também o mourão,
Não ouço mais suas batidas
Nem seu rangido de então.

Marcos Calaça, jornalista matuto (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h05
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FESTA DE SANTOS REIS

Dia de Reis, de acordo com a tradição cristã, é aquela em que Jesus Cristo recém nascido recebeu a visita de alguns magos do Oriente, denominados de Três Reis Magos, guiados por uma estrela: Belchior, Gaspar e Baltazar.

No início da década de 70, papai saiu comigo do interior para Natal e me levou para a festa de Santos Reis. Felicidade. Muitas guloseimas como pipoca, castanha, amendoim, bolo, barba de papai noel e algo mais.

Uma simples corrida no carrossel do parque e uma bela lembrança de um boneco de pau malabarista que a gente girava pra lá e pra cá. Só alegria.

Com essa modernização, além da violência, os tempos são outros. Mas a antiga tradição cultural não pode ser esquecida e lembro parte da letra da música de Tim Maia: '...andava meio esquecida, mas é a festa de Santos Reis'. Saudades.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 10h10
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LÁPIS DE PAU

Você foi a alegria
Que me deste
Tanta esperança
Quando criança.

Guardei-o no baú
Do coração do Grupo
Onde coleciono lembrança
Passei de ano, bonança.

Foi com ele
Que escrevi
O poema do progresso
Lápis, a ti eu regresso.

No grupo eu escrevia,
Em casa estudava
Lápis, quando cotoco
Eu o abandonava.

Banda de gilete
Eu fazia a ponta
Português era o ditado
Na aritmética, a conta.

Lápis de pau
Por ti todo mundo passou
De aluno a professor
O reprovado e o que estudou.

Lápis de pau
Te colocaram um apelido
Te chamam de grafite
O que colocou é um desvalido.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 00h14
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Soneto
AMIGA ESTAÇÃO

Prédio escuro à sombra da morte
Murmúrio e escuridão
Grito ecoando da noite
Quebra o silêncio na velha estação.

Daquele prédio chega a dor
Agonia, lamúria e inquietação
Algo confuso recorre à prece
Alguém quebra a solidão.

Que venha um bom coração
Sem agasalho precisa de um norte
Tua sorte é a salvação.

Transformar em cultura é a solução
Não pense na morte
Você é forte no velho torrão.


Marcos Calaça, jornalista cultural.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 19h05
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Um lindo passado
MARCAS DO TEMPO

Para aqueles que já contam com meio século de vida, são os privilegiados dessa bela crônica que estou escrevendo. Os que tem menos de cinquenta anos, certamente, terão que pedir ajuda aos mais velhos.

O certo é que estamos vivendo uma revolução tecnológica e uma mudança radical na cultura , para pior. Alguns objetos mudaram de nome com outros costumes e hábitos, como: diadema mudou para tiara; baladeira colocaram o apelido de estilingue; a brincadeira de academia passou a se chamar de amarelinha; maria chiquinha abortou para xuxa.

Outros objetos viraram peça de museu, como exemplos: radiola, máquina de datilografia, fita cassete, toca fita do meu carro, gravador de pilha, suspensório, tabuada, cartilha do ABC, broche, brilhantina e outros produtos perdidos no tempo e no espaço.

Algumas marcas viraram figuras de linguagem, como toda lâmina de barbear é Gillette; a água sanitária chamam por Água Marilena; o iogurte gritam por Danone; a esponja de aço pedem por Bombril.
Existem roupas que marcaram para sempre na década de 70: camisas Fio Escócia e Volta ao Mundo; calças Lee e US Top; calças de veludo e boca de sino; tênis conga, Kichute e Verlon; refrigerante Guaraná Antarctica para quem estava doente; sabonetes Phebo e Vale Quanto Pesa. A pelada era bola canarinho; para ficar forte a jogada passava por Biotônico Fontoura e emulsão Scott. Sapato, a febre era Cavalo de Aço.

Em um certo momento a juventude inventou a moda de alpargatas de couro. O café era vencedor, gostoso com a tapioca de Geni. Teve o momento febril da revista Placar e das figurinhas dos campeonatos brasileiro e carioca, com a rivalidade entre Flamengo de Zico e Vasco de Dinamite. Quando o calor apertava, era o momento de poli e dindim.

A televisão era em preto e branco, como as marcas Colorado RQ e ABC a voz de ouro. Dominava o cenário a TV Tupi, com Tarzan; Daniel Bonne; A feiticeira:Viagem ao Fundo do mar; Perdidos no Espaço; Jerônimo, o herói do Sertão; Chacrinha; Flávio Cavalcanti e outros belos filmes, além das ótimas novelas.

E você participou dessa época lúdica? Maravilha.

Marcos Calaça, jornalista cultural (UFRN).



Escrito por MARCOS CALAÇA às 19h03
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QUANDO CRIANÇA NO MEU TORRÃO
BRINCADEIRAS DA MINHA INFÂNCIA

Brincava com carrinho de plástico
De lata de óleo e de madeira
A felicidade na corrida
A criança era de primeira.

Fazenda de boi e vaca de osso
Também galinha de pereiro
Tudo isso tinha
Eu era um grande fazendeiro.

No drible de corpo
Brincava de bandeirinha
A correria era grande
Em frente à pracinha.

Toda brincadeira
Dinheiro com nota de cigarro
Apostava de verdade
Não enxugava se fosse de barro.

A aposta com pedra
Conhecia como tila
Para acertar uma na outra
A meninada fazia fila.

Na bola tinha o cascudinho
Brincava também de garrafão
Levava murro nas costas
O besta do bobão.

Com argola de arame
Laçou levou
Dinheiro de cigarro
Eu também vou.

Os que mais corriam
Capitão de tropa e tica
Você corre pouco
Na mancha fica.

Revólver de pau
'Queimano' aí
No beco ou na esquina
Queimei você, peraí.

Brincadeira de mico
Animais no baralho
O macaco ficava por último
Pegue choro, acalmar dava trabalho.

No ping pong
A bola era pé duro
A rede de sandália
O jogo era duro.

No conhecido tabuleiro 
Tinha dama, fire e onça
Ninguém queria perder
Na velha geringonça.

Nos quadrados da infância
Amarelinha era academia
Brincava menino e menina
Como uma verdadeira epidemia.

Crianças pobres
Não faltava bola de meia
Banda de tijolo como trave
Foi gol, não foi, briga feia.

Para matar passarinho
Tinha uma arma de primeira
Escolhia as melhores pedras
Minha velha baladeira.

No meu tempo
Pipa era coruja
Em cima do muro do grupo
Dizia:'Não tore e não fuja'.

De vidro ou rolimã
Brincava de biloca
Menino pra danado
Tudo numa maloca.

Brincar de vira
Jogava com patacão
Virava uma moeda
Ou acertava de montão.

Baralho muito usado
Jogava pife, sueca ou buraco
Brincava de engenheiro
Casas e apartamentos,um barato.

Lata de leite
Fazia roladeira
A alegria era grande
Felicidade na brincadeira.

Passava a tarde
Brincando de peia quente
Apanhava pra danado
O menino demente.

Outra brincadeira 
A briga de sabugo
Cada um batia com força
Não tinha refugo.

No velho pé de ficus
No galho eu alcançava
Armava o balanço
pra lá, pra cá, balançava.

De talo de carnaúba
Era o cavalo
Vambora, corra!
Esse era o ditado.

Brincar de telefone
Duas latas e cordão
A escuta era legal
Não existia confusão.

Na noite sem energia
Lata furada e vela
na tremenda escuridão
Fazia um lindo clarão.

Cordão e quenga de coco
andava de salto alto
Na calçada ou na areia
Não existia calçamento nem asfalto.

No 7 de setembro
Tinha batucada
Lata de leite e de doce
Alegria e zoada.

Brincar de patinete
Rolimã e madeira
Calçada da balaustrada como pista
Velocidade na brincadeira.

Algumas brincadeiras
Ainda vou lembrar
Aqui escreverei
Para você recordar.

Marcos Calaça, jornalista e poeta matuto.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h38
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De volta A CATITA MARIA-FUMAÇA

Lá vem Maria-Fumaça
Carregando nuvem pelo nariz
Chega à estação
Oh, povo feliz.

O velho maquinista
Chegava ao torrão
Trazia Maria-Fumaça
À terra do algodão.

A velha Catita 
Desenvolveu o passado
Até no nosso hino
O algodão está registrado.

Das janelas dos vagões
Era a antiga televisão
Nas cidades e nos povoados
O povo acenava com as mãos.

Trenzinho moído à lenha
Conhecido como Maria-Fumaça
Que levava um bocado de Francisco
E trazia um vagão de Maria, até Da Graça.

Carregava estudante e trabalhador
Comerciante e ambulante caixeiro
Tinha maquinista e foguista
Também lojista e fazendeiro.

Tropeiros chegavam
À estação do trem
Compravam e vendiam
Não se curvavam a ninguém.

Alegre e devagar
Transportava compromisso e emoção
A paisagem era a caatinga
Do meu querido sertão.

O trem não existe mais
No meu velho torrão
Lembrança de menino
Ficou só a recordação.

Catita retornou
O povo estava esquecido
Hoje é peça de museu
Um descanso merecido.

Marcos Calaça, jornalista cultural (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h38
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MOMENTOS DA MINHA INFÂNCIA
SERRA AGUDA
Eu cresci atrás daquela serra
A trilha é o estradão
Ainda sinto cheiro da terra
E da plantação do algodão.
Hoje me vem a lembrança
E começo a chorar
Das coisas boas da vida
Quando morei por lá.
A estrela d'alva e a lua
Brilham o seu clarão
Noites memoráveis
Das caçadas do sertão.
Amanhece o dia
A serrinha desperta em flor
O perfume da caatinga
Liberando todo o odor.
Esse momento de criança me fascina
O sonho me convida a voltar
Das lembranças de Serra Aguda
Como é belo recordar.
Marcos calaça, jornalista matuto(UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h36
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VERDADE QUE O TEMPO NÃO APAGA

CAMPO DE AVIAÇÃO

Quando criança, uma das grandes emoções era ver um avião pousando no campo de João Paulino. Nos anos 30, no governo de Juvenal Lamartine foram inaugurados dois campos de aviação próximo à cidade e outro na fazendo São Paulo, do Ex-Presidente da Câmara de Angicos Luiz Felipe Câmara.

Quando o avião dava uma volta pela cidade, começava a nossa corrida para o campo, que distava mais de 2 km. Lá chegando, quase que não víamos o avião aterrissar, mas também só saíamos quando o mesmo decolava. Havia aviadores que mandavam agente chegar mais perto e até olhar o painel do avião. Não entendiamos que aquela mangueira, no poste, era a biruta direcionado para onde sopram os ventos.

O nosso campo ficava, num plano da estrada que liga Pedro Avelino a Macau, especialmente, ao lado da casa do saudoso João Paulino.

O governador Lamartine, o senador João Câmara, o senador Dixt Sept Rosado, o governador José Varela, o senador Georgino Avelino,o governador Dinarte Mariz, o governador Aluizio Alves vieram muitas vezes à nossa cidade, de avião.

Primeiro dava um voo de reconhecimento, em seguida já havia uma multidão correndo em direção à 'pista', somente para ver o avião pousar, muito mais do que avistar os políticos.

Um conterrâneo nosso, que sempre viajava de avião para cuidar da saúde de sua esposa em Recife, era o ex-prefeito José Carneiro.

Assim que o avião aterrissava, lá estava o saudoso João Paulino com toda família, no alpendre da casa grande, fazendo a primeira recepção ao visitante ilustre. Na ocasião da campanha política, os aviões jogavam os panfletos amarelos, verdes, vermelhos, azuis, com a proposta dos candidatos. Isso dependia da cor e da preferência partidária.

Mas o episódio mais emocionante que aconteceu foi a chegada do Governador Aluízio Alves de Helicóptero, e pousar na frente da igreja, exatamente onde hoje é a Praça Cônego Antas. Aí foi festa. O avião esquisito, com uma hélice enorme, levantando uma poeira daquelas de redemoinhos. Naquele dia, juntou-se duas festas prazerosas, uma de receber o nosso Governador e a outra de poder assistir a chegada de um avião em plena rua.

Bela época.

João Bosco, professor e poeta



Escrito por MARCOS CALAÇA às 09h53
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QUANDO CRIANÇA NO MEU TORRÃO
BRINCADEIRAS DA MINHA INFÂNCIA

Brincava com carrinho de plástico
De lata de óleo e de madeira
A felicidade na corrida
A criança era de primeira.

Fazenda de boi e vaca de osso
Também galinha de pereiro
Tudo isso tinha
Eu era um grande fazendeiro.

No drible de corpo
Brincava de bandeirinha
A correria era grande
Em frente à pracinha.

Toda brincadeira
Dinheiro com nota de cigarro
Apostava de verdade
Não enxugava se fosse de barro.

A aposta com pedra
Conhecia como tila
Para acertar uma na outra
A meninada fazia fila.

Na bola tinha o cascudinho
Brincava também de garrafão
Levava murro nas costas
O besta do bobão.

Com argola de arame
Laçou levou
Dinheiro de cigarro
Eu também vou.

Os que mais corriam
Capitão de tropa e tica
Você corre pouco
Na mancha fica.

Revólver de pau
'Queimano' aí
No beco ou na esquina
Queimei você, peraí.

Brincadeira de mico
Animais no baralho
O macaco ficava por último
Pegue choro, acalmar dava trabalho.

No ping pong
A bola era pé duro
A rede de sandália
O jogo era duro.

No conhecido tabuleiro 
Tinha dama, fire e onça
Ninguém queria perder
Na velha geringonça.

Nos quadrados da infância
Amarelinha era academia
Brincava menino e menina
Como uma verdadeira epidemia.

Crianças pobres
Não faltava bola de meia
Banda de tijolo como trave
Foi gol, não foi, briga feia.

Para matar passarinho
Tinha uma arma de primeira
Escolhia as melhores pedras
Minha velha baladeira.

No meu tempo
Pipa era coruja
Em cima do muro do grupo
Dizia:'Não tore e não fuja'.

De vidro ou rolimã
Brincava de biloca
Menino pra danado
Tudo numa maloca.

Brincar de vira
Jogava com patacão
Virava uma moeda
Ou acertava de montão.

Baralho muito usado
Jogava pife, sueca ou buraco
Brincava de engenheiro
Casas e apartamentos,um barato.

Lata de leite
Fazia roladeira
A alegria era grande
Felicidade na brincadeira.

Passava a tarde
Brincando de peia quente
Apanhava pra danado
O menino demente.

Outra brincadeira 
A briga de sabugo
Cada um batia com força
Não tinha refugo.

No velho pé de ficus
No galho eu alcançava
Armava o balanço
pra lá, pra cá, balançava.

De talo de carnaúba
Era o cavalo
Vambora, corra!
Esse era o ditado.

Brincar de telefone
Duas latas e cordão
A escuta era legal
Não existia confusão.

Na noite sem energia
Lata furada e vela
na tremenda escuridão
Fazia um lindo clarão.

Cordão e quenga de coco
andava de salto alto
Na calçada ou na areia
Não existia calçamento nem asfalto.

No 7 de setembro
Tinha batucada
Lata de leite e de doce
Alegria e zoada.

Brincar de patinete
Rolimã e madeira
Calçada da balaustrada como pista
Velocidade na brincadeira.

Algumas brincadeiras
Ainda vou lembrar
Aqui escreverei
Para você recordar.

Marcos Calaça, jornalista e poeta matuto.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 09h52
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À SOMBRA DO JUAZEIRO

EU SOU ZELITO CALAÇA NA SAÚDE

SOU PADRE ANTAS POLIVALENTE

SOU A PRAÇA DO CLUBE 

TODO ANO SOU FEVEREIRO

SOU O VELHO CARNAVAL 

HOJE SOU A SOMBRA DO JUAZEIRO.

.

EU SOU AS CHUVAS DO 'INVERNO

PARA SALVAR O MEU SERTÃO,

SOU A SANFONA DE TATÁ

VIVA O MEU TORRÃO,

NA CAATINGA TEM MARMELEIRO

SANFONEIRO, TOQUE À SOMBRA DO JUAZEIRO.

 

SOU A CANÇÃO POPULAR

VIVA MANOEL BRAULINO COMO SERESTEIRO,

SOU O VIOLÃO DE PEDRO DE ELVIRA

VIVA MOACIR BEZERRA COMO CANCIONEIRO,

ESSA É UMA PEQUENA HOMENAGEM

À SOMBRA DO JUAZEIRO.


EU SOU CRONISTA E JORNALISTA

DA TERRA HOMENAGEIO ARTISTA

VIVA SEVERINO VICENTE,

NO FOLCLORE ESTÁ PRESENTE

ESSE HOMEM BRASILEIRO

NA SUA BAIXA DO JUAZEIRO.

 

O GRANDE IBANI COSTA

MAIOR POETA DO NOSSO SERTÃO

EM 'O PESCADOR' GANHOU O FESTIVAL DE BELÉM (PA-1974)

NA DÉCADA DE 70, HOMENAGEOU O PADRE ANTAS E O BARÃO. 

EM 'EPITÁFIO' LEMBRA PEDRINHO DE ELVIRA, O SERESTEIRO

O VIOLÃO CHOROU, ELES ESTÃO CANTANDO À SOMBRA DO JUAZEIRO.

 

NÃO ESQUEÇO O PROFESSOR E POETA JOÃO BOSCO

ESCREVEU MUITO EM RELAÇÃO AO POVO DO MEU TORRÃO

O ENSAIO 'EU E ELES' LEMBRA CONTERRÂNEOS SEM HUMILHAÇÃO

EM 'A FAVELA', O ECO DA MOÇADA É O TIMONEIRO,

NA POESIA 'O TEMPO' RETRATA O PARADOXO VERDADEIRO

POETA AMIGO, É BOM RECITAR À SOMBRA DO JUAZEIRO.

Marcos Calaça, jornalista matuto (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 10h59
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VELHA SAUDADE
A BATIDA DO PILÃO

Maciço de baraúna
Esculpido em miolo
A batida do pilão
Servia a sabido e a tolo.

O milho virava xerém
Bem batido era fubá
Cuscuz bem gostoso
Ah! que saudade me dá.

No sopé de Serra Aguda
A mãe socava o pilão
Contemplava a natureza:
"Como é lindo o meu torrão"

Mão-de-pilão
Soca, soca,
O gostoso gergelim
Vira uma saborosa paçoca.

Pilão era o moinho da casa
Carne seca com farinha
Café com rapadura
O sertanejo tinha.

Mulher no pilão
Socando café
Seis da noite
Jantar e rezar com muita fé.

O velho pilão
Estava em quase todo lugar
Em Mãe Maroca e Mãe Joaninha
Na fazenda alagamar.

O pilão era importante
E também perfeito
Ficou abandonado
Hoje dói no meu peito.

Tudo isso
Não esqueço jamais
O velho pilão
Deixaram para trás.

O tempo
É o tamanho da ferida
No meu torrão
Acabou a sua vida.

O amigo emudeceu
Tinha coisas para contar
História de fartura e de seca
Virou pó, deixou de triturar.

O progresso acabou com seu valor
No canto da casa abandonado
Te dedico esse poema,
Hoje você foi lembrado.

Marcos calaça, jornalista matuto (UFRN)


Escrito por MARCOS CALAÇA às 15h05
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LÁPIS DE PAU

O lápis de pau 
que eu ganhei
naquela manhã
no Grupo Escolar
guardei-o no baú
da esperança.

DOMINGO ANTIGO

Pela manhã nublada
nos retratos da lembrança
caminho no leito do rio.

No domingo à tarde
muita chuva no torrão
corro para a bica
e tomo banho de saudade.

Noite de domingo
armo uma rede na varanda
Embalo meus sonhos
lendo Patativa de Assaré
e escutando Elino Julião
no velho rádio ABC.

Depois vou dormir
feito menino
escutando a natureza
do coaxar dos sapos.

NO VERÃO

Durante o dia
sou sol causticante
na coivara para plantar
chega a noite
sou violão para colher
na poesia do luar.

Marcos Calaça, jornalista matuto (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 15h04
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PAULO ZENON PEREIRA CÂMARA

Quando menino, na década de 60 e, teve uma infância feliz ao lado de muitos meninos da sua época, principalmente, na Rua Velha.

Cursou o antigo primário na Escola Paroquial e, logo, aprendeu vários instrumentosdo padre Antas como violão, bombo, tarol, caixa e outros. Ainda ensaiou tocar sanfona. Depois, já adolescente, se destacou tocando baixo e guitarra no conjunto musical que o padre criou, também era um bom baterista. Como baixista, era o melhor. Ele dizia que a marcação rítmica do baixo tinha que estar em sintonia com a bateria de acordo com a noção do tempo e do tom. Nessa época usava uma vasta cabeleira como os grandes guitarristas.

Em relação ao lado religioso, quando menino, foi uma espécie de coroinha, pois auxiliava o padre nas missas e em outras funções da igreja. Nessa época pedia a benção padre, a benção pai, a benção minha mãe.

Na época do Cinema Paroquial sempre foi apaixonado pelo estilo faroeste. Tanto que gostava de filmes com Giuliano Gemma, Fernando Sancho, Franco Nero, John Wayne etc. Amante da leitura, na época de adolescente gostava de Tex. Uma revista faroeste em forma de gibi, com riqueza de informações sobre o velho oeste americano. O verdadeiro cowboy. Na década de 70 também gostava de ler revistas semanais como Manchete e Veja.

Alegre e humorado terminou o primário na Escolas Reunidas Nossa Senhora das Graças, conhecida como Escola Paroquial. Na primeira metade dos anos 70 fez o exame de admissão e cursou o Ginásio Paulo VI. Depois passou um período estudando em Natal, mais tarde em um curto tempo se deslocou para Vitória (ES). Retornou ao velho torrão para ajudar seu pai, sargento José Pereira, no comércio de frutas e verduras, que era batizado carinhosamente como Ceasa de Zé Pereira. Antes, trabalhou como funcionário público municipal no setor de tributação.

Tudo isso fez com que Zenon não tenha se apegado a uma só temática, pois além de músico, também foi funcionário público, dono de comércio na área de frutas e verduras, motorista, além de um bom profissional na elétrica (energia), na eletrônica (eletrodomésticos) e na hidráulica (conexões). Sendo que só exercia essas atividades para serviços caseiros familiares e de alguns amigos. Paulo nunca soube explorar seus valores e suas qualidades como um ótimo músico e um grande técnico em algumas profissões.

Paulo Zenon era amante e ouvinte da boa música sertaneja através do rádio. Ouvia pela madrugada o programa do radialista, cantor e compositor Zé Bettio pela Rádio Record de São Paulo. Era um programa sertanejo de raízes caipiras. Isso na segunda metade dos anos 70

Tinha um bom gosto musical como cantores da MPB. Em relação ao forró, gostava de pé-de-serra, que considerava o verdadeiro forró de qualidade, como Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Marinês, Dominguinhos, Elino Julião, Alcimar Monteiro, Flávio José e outros que cantavam e cantam o antigo sertão.

Nos velhos carnavais Paulo Zenon brincou no bloco Magnatas, que tinha como líder seu grande amigo Iranilton. Com o violão afinado, nas férias de janeiro, os dois saíam pelas madrugadas para tocar serenata nas janelas das casas de algumas meninas-moças. Belo romantismo que elas adoravam.

De modo que a história não será esquecida do maior músico que o nosso município já teve: PAULO ZENON PEREIRA CÂMARA. O padre Antas é hors concours. 

Inteligente, alegre, humorado e com o sorriso nos lábios, deixou cinco filhos 
maravilhosos e muitos amigos de várias gerações.

Marcos Calaça, jornalista (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h14
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SERTÃO DE HOJE: 

O JUMENTO E A MOTO

 Às vezes fico imaginando o que a evolução do tempo é capaz de fazer. Maria montou em um jumento para chegar a Belém e o menino Jesus, ao nascer, foi contemplado por diversos animais e o jumento estava lá, juntinho à manjedoura. É um animal abençoado, nasceu para carregar pessoas e pesadas cargas. A sua cor cinza não encobre a cruz (sinal) em preto que carrega no dorso.

Nasci e me criei vendo o coitado do animal carregando latões de leite, cargas de lenha em cangalhas, tijolos, a feira dos trabalhadores rurais aos sábados e servindo de montaria, tendo sua barriga esfolada por esporas e levando chibatadas no traseiro. O animal não fala, nem resmunga. Como expressar seu sofrimento? Pela fome, sede e dor? Se alimenta de tudo que encontra pela frente, principalmente, capim e milho. É pau pra toda obra. Deu muito lucro ao seu patrão.

Hoje em dia vemos esses animais abandonados, passando fome às margens das estradas, valendo míseros trocados. Aos poucos, as motos foram tomando o lugar dos jumentos, no sertão de hoje. por vários motivos: não precisa de pasto, não usa arreio ou cabresto, não precisa ferrar, dá menos trabalho, corre mais do que o jumento, vai aonde ele não vai, bebe, mas não come, é mais valorizado. No entanto o dono tem que ser equilibrista e ter carteira para pilotar. Não conheço ninguém que morreu de queda de jegue, porém, as quedas de motos geralmente são fatais. Sou a favor do jumento, sou do tempo do ronca. Que se danem as motos. Viva o sertão de antigamente.

                                           Marcos Calaça, jornalista (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 22h14
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04 DE DEZEMBRO DE 2013

CINCO ANOS SEM ZELITO CALAÇA

O 'MÉDICO' DO POVO E DO POBRE

 

É um enorme privilégio 

Que causa grande emoção

Falar de um grande homem

Não é uma estrela e, sim, uma constelação

Zelito Calaça

É a maior figura do meu torrão.

 

Foi o maior 'médico' do município

Atuou na zona rural e na cidade

Todos devem favor a ele

Isso é uma grande realidade

Só fazia o bem

Dá uma grande saudade.

 

Chegou em 1956

Nesse velho torrão

Fez tanto pelo povo

Que em 1962 foi candidato à eleição

O exemplo foi servir ao pobre

Com amor e dedicação.

 

Após a derrota de Calaça

Chegou um homem e começou a chorar

Minha mulher está morrendo na fazenda

E o senhor vai salvar

O 'doutor' foi numa rural e falou:

O parto foi complicado e acaba de descansar.

 

Alguns amigos disseram

Zelito não vá não

Ele não votou em você

E tinha a maior bandeira de oposição

O 'médico' retrucou:

É questão de saúde, eu quero a salvação. 

 

Ele trabalhava toda hora

Gostava e era lindo

O homem que mais prestou serviço

Na nossa Pedro Avelino

Na área da saúde

Foi o maior paladino.

 

Toda família 

Do meu sertão

Deve favor a Calaça

Ele teve reconhecimento e ingratidão

A vida dedicou ao povo

Todo mundo teve uma precisão.

 

Era chamado 

Nas horas certas e incertas

Para atender a alguém

Tomava medidas corretas

Assim era Zelito

O 'medico' sempre alerta.

 

Era considerado dentista

Como protético fez chapa e obturação

Arrancou muito dente

A chamada extração

Não cobrava nada

Do querido povão.

 

Engessou perna e clavícula

Além de muito braço

O pobre pergunta o preço

Pegue o remédio e me dê um abraço

Assim fazia esse homem

Atendia em qualquer lugar e até em terraço.

 

Ele consultava o povo

Num ato de caridade

Dava remédio de graça

Através de um gesto de humanidade

Levava à casa do pobre

Saúde e felicidade.

 

Foi 'médico' das crianças

Muitas vidas ele salvou

Deu remédio e injeção

O matuto perguntou:

Quanto é 'doutor'?

Zelito dizia: Muita saúde e nada custou.

 

Uma frase ele dizia:

Vim para servir, não para ser servido

Todo mundo deve favor

Isso eu não duvido

Cumpriu sua missão

Na terra foi bem sucedido.

 

Uma senhora de idade

Chorou sua despedida

Com dificuldade para andar

Lamentava comovida

Deus lhe dê um bom lugar

O senhor salvou a minha vida.

 

Outra mãe dizia:

Meu filho teve sarampo

Seu Zelito salvou

Eu morava no campo

No céu ele está salvo

E merece ser santo.

 

Na política se meteu

Foi uma grande decepção

Pouco foi reconhecido

Foi muita ingratidão

Para um homem que fez muito

E perdeu um bocado de eleição.

 

De ouvido de criança

Tirou caroço de feijão

De nariz de menino

Tirou semente de algodão

Com uma pinça e uma lanterna

Zelito era a salvação.

 

Um trabalhador rural

Estava arrancando mato

Um graveto entrou na perna

E fez um enorme buraco

Chegou no Pronto Socorro

Tomou antibiótico: Obrigado 'doutoraço'.

 

Em poucos dias

O sertanejo voltou a trabalhar

Agradeceu a Deus e a Calaça

Choveu e começou a plantar

Na colheita, um saco de feijão

Para o 'doutor' se lembrar.

 

Um menino não usava cueca

Prendeu o pinto no rirri

Zelito separou as partes

E começou a sorrir

Ainda deu uma prata ao garoto

Para comprar poli.

 

Muitos idosos 

Não podiam urinar

A crise era braba

E começavam a gritar

O 'médico' chegava com a sonda

Tirava a urina para aliviar.

 

Um senhor na casa de Zelito 

Chegou pela madrugada

"Doutor' vamos salvar minha filha

Que ela está adoentada

Chegando à casa da enferma

Deu injeção e ela ficou curada.

 

Espinha de peixe na garganta

Calaça tirava com facilidade

O homem do campo 

Agradecia com felicidade

Obrigado 'doutor'

O senhor merece uma eternidade.

 

Um homem mordido de raposa

Mandou um recado:

Compareça ao sítio

Ligeiro e com cuidado

O bicho está doido

O matuto tomou remédio e ficou curado.

 

Nunca cobrou nada de um pobre

Na gaveta não tinha nenhum apurado

Esse era o seu negócio

Embora não fosse obrigado

Tinha o lado humano

O remédio saía de graça ou fiado.

 

Um matuto foi mordido

De cobra jararaca

O veneno é tão forte

Quando não aleja, mata

Zelito aplicou soro antiofídico

E disse: você não me deve nada.

 

A toda hora da madrugada

Atendia o pobre com prazer

O doente era desassistido

Pedia para não morrer

Nesse momento é que se sabe

Calaça estava para nos defender.

 

Homem humano

Na vida ele foi 'doutor'

'Médico' do povo

Nunca guardou rancor

A maioria o admirava

E o respeitava com amor.

 

Não ficava apenas na farmácia

Ia ao encontro do povo carente

Na cidade e na zona rural

Atendia a católico e a crente

Ao povo simples e necessitado

Era um mundo de gente.

 

Contra a desidratação

Fazia o soro caseiro

A mulher estava buchuda

Também ele foi parteiro

Assim era Zelito

Um 'médico' verdadeiro.

 

Incansável da caridade

Junto aos desfavorecidos

Também fazia aos abastados

Que eram metido a entendidos

Calaça fez a todos

Pouco letrados e esclarecidos.

 

O 'médico' do povo fez isso 

E muito mais

Atendia com carinho

A menino, a menina e a seus pais

Mas as crianças

Eram especiais.

 

Salve ZELITO CALAÇA

referência local

Orgulho de Pedro Avelino

Um homem especial

Merece uma estátua

Essa é a sextilha final.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h00
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04 DE DEZEMBRO DE 2013
CINCO ANOS SEM ZELITO CALAÇA
O 'MÉDICO' DO POVO E DO POBRE

É um enorme privilégio 
Que causa grande emoção
Falar de um grande homem
Não é uma estrela e, sim, uma constelação
Zelito Calaça
É a maior figura do meu torrão.

Foi o maior 'médico' do município
Atuou na zona rural e na cidade
Todos devem favor a ele
Isso é uma grande realidade
Só fazia o bem
Dá uma grande saudade.

Ele trabalhava toda hora
Ele gostava e era lindo
O homem que mais prestou serviço
Na nossa Pedro Avelino
Na área da saúde
Foi o maior paladino.

Toda família 
Do meu sertão
Deve favor a Calaça
Ele teve reconhecimento e ingratidão
A vida dedicou ao povo
Todo mundo teve uma precisão.

Era chamado 
Nas horas certas e incertas
Para atender a alguém
Tomava medidas corretas
Assim era Zelito
O 'medico' sempre alerta.

Era considerado dentista
Como protético fez chapa e obturação
Arrancou muito dente
A chamada extração
Não cobrava nada
Do querido povão.

Engessou perna e clavícula
Além de muito braço
O pobre pergunta o preço
Pegue o remédio e me dê um abraço
Assim fazia esse homem
Atendia em qualquer lugar e até em terraço.

Ele consultava o povo
Num ato de caridade
Dava remédio de graça
Através de um gesto de humanidade
Levava à casa do pobre
Saúde e felicidade.

Foi 'médico' das crianças
Muitas vidas ele salvou
Deu remédio e injeção
O matuto perguntou:
Quanto é 'doutor'?
Zelito dizia: Muita saúde e nada custou.

Uma frase ele dizia:
Vim para servir, não para ser servido
Todo mundo deve favor
Isso eu não duvido
Cumpriu sua missão
Na terra foi bem sucedido.

Uma senhora de idade
Chorou sua despedida
Com dificuldade para andar
Lamentava comovida
Deus lhe dê um bom lugar
O senhor salvou a minha vida.

Outra mãe dizia:
Meu filho teve sarampo
Seu Zelito salvou
Eu morava no campo
No céu ele está salvo
E merece ser santo.

Na política se meteu
Foi uma grande decepção
Pouco foi reconhecido
Foi muita ingratidão
Para um homem que fez muito
E perdeu um bocado de eleição.

De ouvido de criança
Tirou caroço de feijão
De nariz de menino
Tirou semente de algodão
Com uma pinça e uma lanterna
Zelito era a salvação.

A toda hora da madrugada

Atendia o pobre com prazer

O doente era desassistido
Pedia para não morrer
Nesse momento é que se sabe
Calaça estava para nos defender.

Homem humano
Na vida ele foi 'doutor'
'Médico' do povo
Nunca guardou rancor
A maioria o admirava
E o respeitava com amor.

Não ficava apenas na farmácia
Ia ao encontro do povo carente
Na cidade e na zona rural
Atendia a católico e a crente
Ao povo simples e necessitado
Era um mundo de gente.

Contra a desidratação
Fazia o soro caseiro
A mulher estava buchuda
Também ele foi parteiro
Assim era Zelito
Um 'médico' verdadeiro.

Incansável da caridade
Junto aos desfavorecidos
Também fazia aos abastados
Que eram metido a entendidos
Calaça fez a todos
Pouco letrados e esclarecidos.

Salve ZELITO CALAÇA
referência local
Orgulho de Pedro Avelino
Um homem especial
Merece uma estátua
Essa é a sextilha final.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 07h02
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PAISAGEM DO MEU TORRÃO

Na janela aprecio a velha paisagem
O sol do meio-dia causticante
Pequenos redemoinhos no campo seco
Mesmo assim meu sertão é dignificante.

Cortando as veredas
Vejo o vaqueiro de paletó de gibão
Adentrando a caatinga,
Salve o herói do meu torrão!

Pela madrugada no poleiro
O velho galo cantador
O matuto se levanta
O novo dia que chegou.

Marcos Calaça, jornalista matuto (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 15h51
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AS GOSTOSAS COCADAS 

Corria o ano de 1973. Geni, esposa de Chico Locutor, era educada e gentil. Nessa época, ela vendia deliciosas cocadas de coco fabricadas artesanalmente. Todos os dias, após o almoço, seu filho Chico Zé, também conhecido como Chico Souza, saía vendendo essas gostosas guloseimas em algumas ruas da cidade. Nessa época, morávamos na Rua da Estação e era parada obrigatória para Chico Zé vender algumas cocadas na minha casa.

À tardinha era a vez de Geni vender tapioca na casa dela, na mesma rua. No início do ano de 1974 mudamos de residência para a rua Gaspar Lopes, com isso, a mulher desapareceu e ficamos órfãos da cocada e da tapioca. Dona Geni mudou-se para São Paulo. Chico Zé faleceu precocemente. 

Essa nostalgia ficou nas minhas lembranças como um doce cristalizado.

Marcos Calaça, jornalista matuto (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 15h49
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QUANDO DEIXEI O MEU TORRÃO

Faz tempo que deixei o meu sertão
Mas sempre guardei saudade
De Laginha e Serra Aguda
E também da cidade

Das velhas terras abandonadas
Do açude rachado e sem água
Do gado acabado e magro
Ingratidão e muita mágoa.

Trago na mente marcas eternas
Torrão de sofrimento e judiação
Escrevo em noite de lua
Lugar que tenho no meu coração.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 22h11
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É BOM LEMBRAR

Uma sexta-feira á tarde, no mês de setembro, nas décadas de 60 e início de 70, era uma maravilha. Chegavam carradas de algodão nas duas usinas. 
Os armazéns de Mulatinho, Chico Câmara, Ranulfo Costa, Teodoro Ernesto, Segundo Veríssimo e outros recebiam algodão que seria comercializado na algodoeira São Miguel, com os galegos. Época do auge do ouro branco e que 'corria' muito dinheiro no nosso torrão.

O trem trazia água boa de Extremoz e muita gente para apanhar algodão. As notícias eram através da revista O Cruzeiro, dos jornais de Natal, do noticiário Repórter Esso e de algumas rádios AMs, além dos Correios e da Estação Ferroviária através dos telégrafos.

Gustavo Cabral, precursor da Empresa Cabral, que fazia a linha Pedro Avelino-Macau, trazia um misto de quatro boleias e muitas mercadorias. Luís Pegado chegava de Lajes com as revistas Capricho e o Cruzeiro, além do queijo do Seridó, carne seca e doces. Depois chegavam os feirantes, em seguida, os brejeiros Severino Godoia, Gilberto, José Godoia, Manga rosa Eucalipto e outros com grandes variedades.

À noite, o Country Club abria e se dançava ao som de Waldir Calmon, além dos boleros dos Trios Los Panchos e Iraquitan. 

Nessa época, o nosso município era tão promissor que tornou-se um dos maiores produtores de algodão do Estado e chegou a ter quase 14 mil habitantes. 

No início da década de 70, a nossa cidade tornou-se a ser o primeiro lugar de jovens universitários aprovados pela UFRN todos os anos, passando à frente de várias cidades maiores que a nossa. Nesse tempo, os universitários fundaram a AUPA ( Associação Universitária de Pedro Avelino). Essa Associação era comandada pelos jovens Hélio Carneiro, Hildeman Câmara, Antônio Sílvio, Tomé entre outros. O objetivo era repassar entretenimento,
lazer e cultura, além de palestras para a sociedade pedro-avelinense. Bela época.

João Bosco da Silva, professor
Marcos Calaça, jornalista colaborador



Escrito por MARCOS CALAÇA às 21h55
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