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O GALINHO: JORNALISTA MARCOS CALAÇA
 


RÁDIOS DO RIO DE JANEIRO: MUDANÇA TOTAL NO ESPORTE

JOSÉ CARLOS ARAÚJO DEIXA A RÁDIO GLOBO, QUE

CONTRATA LUIZ PENIDO

A rádio Bradesco Esportes contratou José Carlos Araújo,

Gerson e Gilson Ricardo.

Ambos faziam parte de esporte da Globo AM do Rio de

Janeiro, que imediatamente contratou o campeão de audiência

Luiz Penido, da Rádio Tupi AM.

                                  Marcos Calaça, jornalista (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 16h51
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CRÔNICA SENTIMENTAL

PERDIDOS NO ESPAÇO

Esse filme ocorreu na primeira metade da década de 70 na TV Globo e, depois, na antiga TV Tupi. Todas as tardes o compromisso dos meninos e das meninas era com esse seriado que passava em preto e branco numa antiga televisão a válvula, que era preciso esquentar para chegar a imagem, que era de péssima qualidade, com muito 'chuvisco'. A televisão era de marca Colorado RQ e tinha um seletor para 13 canais. Vale salientar que nessa época poucos lares tinham esse aparelho, fazendo com que na minha casa fosse um verdadeiro cinema. Todos sentados no chão.

As aventuras eram dramáticas vividas pela família Robinson, que viajava numa nave espacial perdida sem rumo e sem destino numa tentativa de retornar à terra. Era de arrepiar ver os problemas que essa família passava e, muitas vezes, aterrissava em planetas distantes e enfrentava extra-terrestres sendo perseguida por monstros horríveis.

Quem deixava todos em perigo era doutor Smith. Ele era perigoso, maluco, traidor e usava o lado do mal e causava todos os problemas. Tinha uma voz mansa, calma e de um jeito peculiar e engraçado. O garoto Will e o robô eram suas vítimas preferidas, deixando a nave em perigo. Will era amigo de doutor Smith e do robô, mas era alertado pelo seu pai para não cair nas armadilhas desse médico maluco sobre falsos argumentos. 

Quando o robô percebia algo estranho, alertava dizendo:"perigo!, perigo!'. Doutor Smith dizia para o robô:'Cale a boca lata de sardinha enferrujada". Depois disso desligava o aparelho robótico. Com essa presepada o senhor Smith deixava todos em pânico, tanto os componentes da Nave Espacial, quanto nós crianças e adolescentes daquela época fazendo com que o detestássemos com ira e ódio. Imagino a raiva que eu e Márcia, minha irmã, tínhamos do velho Smith, além do medo.

                              Marcos Calaça, jornalista (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 16h32
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EMBU MADURO

Uma bela chuva no sertão

Uma rede no alpendre,

No quintal um pé de imbuzeiro

O vaqueiro toma uma de primeira cabeçada e diz:

'viva o umbu, viva o sertão'.

             Marcos Calaça, jornalista (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 16h06
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CARROÇA D'ÁGUA

Já enchi pote com água

de galão da cacimba de São Pedro.

No outro dia, pela manhã,

a água era doce e friinha

inclusive na quartinha.

Também enchi o tanque

de tomar banho de cuia

da cacimba de Leopoldo.

Era limpa pela natureza

 e não tinha nem lodo.

               Marcos Calaça, jornalista (UFRN)

 



Escrito por MARCOS CALAÇA às 15h59
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MEU OFÍCIO

Eu sei cortar jurema preta

Para fazer broca e esperar

A chuva para plantar,

Tiro leite de vaca

Como cuscuz com coalhada

E desapareço na caatinga

Para trabalhar.

             Marcos Calaça, jornalista (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 15h04
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AS FOTOS DE MONÓCULOS: Crônica sentimental

Naquela época de 1970 era um charme muitos jovens desfilarem com uma penca de chaves na calça com vários monóculos, caso contrário, ficavam trancados no guarda-roupa para apresentar aos familiares e amigos a fotografia da época.

O monóculo, para quem nunca ouviu falar, era uma espécie de cone (caixinha de plástico dura e colorida) com uma pequena lente redonda na extremidade e fundo removível na tampa com o negativo (slide) na outra parte. Isso possibilitava a visualização da imagem da foto ampliada quando direcionada contra a luz

A pequena foto era de um filho, do irmão, da namorada, do namorado, de uma festa no Country Club, da festa paroquial, do desfile de 7 de setembro, de uma criança próxima ao centro da casa, etc. Era o maior barato quando o monóculo ia passando de mão em mão e de olho em olho. 

Na nossa terra, o fotógrafo Getúlio Bezerra de Melo foi o pioneiro a apresentar essa novidade à juventude da época. Grande novidade. A foto através da lente ficava grande, perfeita e 'virtual'. Hoje o monóculo virou peça de museu. É uma relíquia.

                                       Marcos Calaça, jornalista (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 00h40
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LINDO

VELHA CASA DESTRUÍDA (taipa)

VELHA CASA ABANDONADA

PRÓXIMA DA ESTRADA

JÁ NÃO MORA MAIS NINGUÉM,

SEM TELHADO E SEM BARRO, SÓ COM AS VARAS

PARA ALGUNS, NÃO VALES UM VINTÉM.

MINHA TAPERA HOJE ESTÁ EM RUÍNAS

CASA QUE CRIOU AS MINHAS MENINAS.

 

CASINHA VELHA

LINDA NO MEU CORAÇÃO,

VOCÊ ERA SIMPLES

MAS QUANDO LEMBRO DE TI

TENHO UMA GRANDE EMOÇÃO.

NO FUNDO DO QUINTAL

TINHA UM PÉ DE UMBUZEIRO

QUE À NOITE SERVIA PARA AS GALINHAS

COMO SE FOSSE UM PULEIRO.

 

CASA LINDA ABANDONADA

QUE FICAVA DA CIDADE AFASTADA

ERA A ÚNICA MINHA MORADA

NO SERTÃO ONDE EU ME SENTIA FELIZ

AO LADO DA MULHER E DA MENINADA

NO MEU VELHO E SECO TORRÃO

NUM PASSADO QUE CONDIZ.

                         Marcos Calaça, jornalista (UFRN).



Escrito por MARCOS CALAÇA às 00h38
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A QUADRA DA MATRIZ

AH, MINHA PEDRO AVELINO

DO TEMPO DO MENESTREL,

DOS INSTRUMENTOS DO PADRE ANTAS,

NA QUADRA DA MATRIZ.

 

EU FUI CRIANÇA FELIZ,

BRINQUEI NOS QUATRO CANTOS

SENTEI-ME NO PISO COMO VELHOS BANCOS

DA QUADRA DA MATRIZ.

 

AO LADO, O SALÃO PAROQUIAL,

QUE ERA O CINEMA LOCAL,

UMA LEMBRANÇA QUE CONDIZ,

COM A BELEZA INCOMPARÁVEL

DA QUADRA DA MATRIZ.

 

BOLA A MEIA ALTURA,

SE ALGUÉM GRITASSE GOL

ESTAVA FEITA A CONFUSÃO,

POIS NÃO EXISTIA TRAVE

BUFETE IA DIZER QUEM TINHA RAZÃO.

 

SE FOI ESTA MARAVILHA

EM NOME DE UM PROGRESSO

QUE O POVO NUNCA QUIS,

MAS FICARAM AS LEMBRANÇAS

DA QUADRA DA MATRIZ.

 

                   Marcos Calaça, jornalista (UFRN).



Escrito por MARCOS CALAÇA às 00h34
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ZEFA CARNEIRO: MAIOR BACURAU DE PEDRO AVELINO

Marcos Calaça, jornalista (UFRN)

Josefa Carneiro da Cunha, mais conhecida como Zefa Carneiro, aluizista e bacurau doente, era irmã do maior dinartista do nosso município, o ex-prefeito José Carneiro Filho.

Na literatura política de Pedro Avelino não podemos esquecer a figura folclórica feminina popularmente conhecida como Zefa Carneiro. Magra e corcunda, andava de cabeça para baixo. Usava tudo verde todos os dias, simbolizando a cor do seu líder político Aluízio Alves: vestido longo verde, pente verde, lenço verde, sandália verde.

Zefa ficava ‘mordida de raiva’ quando uma pessoa dizia: ‘Aluízio morreu, o couro é meu’. Na maioria das vezes ela não era de dizer pornografia, mas perguntava a alguém quem era o sujeito que soltou a piada e ia direto para a casa do menino atrevido conversar com o pai do mesmo. Isso foi muito comum durante as décadas de 1960 e 1970.

Fanática e fiel, vacinada de carteirinha do aluizismo,  Zefa Carneiro deixou para a história política do nosso torrão um pedaço da biografia do fanatismo entre Aluízio Alves (bacurau e MDB) e Dinarte Mariz (fechador e ARENA). Época do bipartidarismo durante o Regime Militar.

Pela antiga UDN, em 1960,  Aluízio Alves enfrentou Djalma Marinho, que teve o apoio do governador Dinarte Mariz. Nessa época ninguém ficava em cima do muro. As paixões eram efervescentes. E Zefa Carneiro cantava com orgulho e alegria: ‘Aluízio Alves veio do sertão lá do Cabugi, pra sanar o sofrimento do seu povo...’.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 10h46
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A SEMANA SANTA E A DOCE PÁSCOA

Marcos Calaça, jornalista (UFRN)

A Semana Santa da minha infância era muito diferente da atual. Lembro que as pessoas mais velhas não tomavam banho na sexta-feira santa. Também não penteavam o cabelo e não varriam a casa. O sino tocava e a matraca soava uma batida forte chamando a todos para a celebração. As rádios AMs só tocavam músicas fúnebres, principalmente, a rádio Cabugi de Natal. O respeito era grande ao Cristo morto. De vez em quando a malhação era com o pobre Judas. O medo do castigo, maior. Imagine comer peixe a semana toda, e, não, apenas na quinta e na sexta santa.

A bebida liberada para não cometer o pecado era apenas o vinho, um copo na hora do almoço.  Para romper o sábado de aleluia podia comer galinha caipira, se possível ‘roubada’ do vizinho. O dono da penosa era convidado especial, com o devido respeito.

No nosso torrão de antigamente não recebíamos ovos de páscoa. O que mais se via era amor e fraternidade. Não havia a tentação de chocolate, mas a fartura da colheita muito comemorada pelos agricultores: feijão, milho, jerimun, melancia.

Nas calçadas os amigos e familiares se reencontravam. Os filhos que estudavam na capital chegavam trazendo alegria, entusiasmo e esperança para comemorar a ressurreição de Cristo. Como o transporte era difícil, a maioria chegava de trem. E os parentes esperando na Estação  Ferroviária lotada.

Com o advento da globalização, hoje a páscoa tornou-se muito comercial.  As propagandas de ovos de páscoa penetram nas casas de várias  pessoas humildes fazendo com que esse sonho não seja realizado para muitas crianças, bem diferente da infância de antigamente.

O doce era a inocência e o medo de ser castigado: ‘Cuidado, isso é pecado mortal’.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 07h32
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NA INFÂNCIA: BRINCAR DE AREIA E ÁGUA

Marcos Calaça, jornalista (UFRN)

Brincar na areia era um dos pontos favoritos da maioria das crianças da minha época. Com carrinho de madeira e de lata de óleo, as estradas eram abertas na areia e no barro com curvas e lombadas. Mais distante, outros meninos jogavam bola no leito do rio Gaspar Lopes e aproveitavam para brincar na areia.

Quando criança, era areia para brincar de tila, de tica, jogar bola, brincar de garrafão,  capitão de tropa, bandeirinha e outras brincadeiras sadias. Lembro bem que na época do calçamento da rua Velha, eu pulava do pé de fícus para um morro de areia que ficava ao lado dessa árvore. E qual a criança daquela época que não gostava de se esbaldar na areia?

Durante as chuvas fazíamos pequenos açudes de areia que, rapidamente, ‘estouravam’ e o barquinho de papel guiado pela água barrenta ia embora. A água passava pelas bueiras da balaustrada e desembocava no açude de Odilon. Muitos garotos, como se fosse uma espécie de vingança, partiam em direção a esse açude para tomar banho.

E marquei a mancha do tica com barro molhado. Feliz remanso.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 07h31
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A LAVADEIRA E A TROUXA

Marcos Calaça, jornalista (UFRN)

Como sou muito voltado para o pretérito, às vezes comparo muitas situações do meu tempo de infância com os dias de hoje.

Naquela época, algumas senhoras viviam exclusivamente do ofício de lavar e engomar roupas. A maioria dessas exímias lavadeiras morava no bairro do Açude e prestava serviços para muitas donas de casa residentes na cidade.

Elas levavam as trouxas na cabeça, da casa da patroa até à lavanderia pública, local próximo ao açude público, atual bairro São Francisco. Essas dignas trabalhadoras usavam sabão em barra e anil, para as roupas mais claras. Para engomar, usava-se o velho ferro de brasa.

Nos atuais tempos o anil, o sabão em barra e o ferro de brasa ficaram para trás. A máquina de lavar, o sabão em pó e o ferro elétrico abriram os braços para a modernidade.

E eu perguntava, quando menino, após o banho: “mamãe, a roupa já chegou do rio?”.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 07h29
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ZÉ GORDO, IRMÃO DO POETA IBANI COSTA, ELOGIA DONA RAIMUNDINHA

Também vivi esse período no Grupo Abel Furtado. Eita mulher de fibra. Boas lembranças.

Alencar Costa (Zé Gordo).


De Belém (PA), Zé Gordo agradece a Marcos Calaça

SONHEI: 'CASA DA CULTURA POETA IBANI COSTA'

Caro jornalista Marcos Calaça, mais uma vez estou aqui para agradecer a lembrança do meu irmão Ibani. Fico feliz pela lembrança do nome dele em algum órgão cultural da querida Pedro Avelino. Mais uma vez, parabéns pelo seu blog cultural.

Alencar Costa (Zé Gordo) | jalecosta@gmail.com | 



Escrito por MARCOS CALAÇA às 20h21
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CRÔNICA PUBLICADA NO 'O JORNAL DE HOJE', OUTUBRO DE 1999

CRÔNICA DO DIA

ZÉ DONINHA

Zé Doninha era um moreno alto que sempre caminhava na rua Velha, na cidade de Pedro Avelino. Trabalhava como carpinteiro. Seu Zé era lírico e aprendeu a ler sem ter estudado em escola nenhuma.

Seu Doninha costumava fazer longas caminhadas pela madrugada ao distrito de Baixa do Meio, distante 30 quilômetros da cidade. Isso ocorria aos domingos, dia de feira no distrito. Ele não gostava de carona. Certa vez, o dia estava clareando, bem próximo de Baixa do Meio, um cão vira-lata o mordeu. Pensou Zé Doninha: "Não tem problema". No retorno, por volta do meio-dia, o danado do cachorro estava numa tremenda soneca à sombra de uma algarobeira. Seu Zé, com um porrete, deu uma pancada segura no animal, que não chegou nem a latir. O velho Zé, experiente, com sua voz grave, disse:"Quem tem inimigo não dorme no ponto".

Zé Doninha tinha um problema sério de saúde, sofria de tuberculose. Sempre batia no peito com força, ao ponto de se ouvir o seu grito com muitos metros de distância. Quando batia, gritava: 'bá,bá,bá'.

Num dia qualquer, um aluno o indagou:"Seu Zé porque o senhor bate com força no seu peito?'. O velho respondeu:" Menino, eu tenho certo problema de tuberculosis bacterium. Pergunte à sua professora o que é bacilo de coch".

Certo dia, Zé Doninha passou em frente à casa do agropecuarista Teodoro Ernesto, que estava sentado em sua calçada. Seu Zé bateu com força no seu peito e "bá,bá,bá". O senhor Teodoro o interpelou:"Zé Doninha, bata no seu peito devagar, isso dói". Zé Doninha perguntou: "Teodoro, o peito é meu ou seu?".Teodoro respondeu:"é seu", e Zé Doninha dá o troco:"Se o peito é meu, então, bá,bá,bá". E se foi caminhando rua adentro.

O estudante adolescente Helder Câmara chegou à carpintaria e encontrou seu Doninha fazendo uma roda de madeira para carro de mão. "O que é isso?", perguntou Helder. "Isso é uma circunferência. E toda circunferência tem trezentos e sessenta graus". Converse com o seu professor de geometria, respondeu Doninha, sabiamente deixando o rapazinho sem entender nada.

Essa história aconteceu mais ou menos assim: na comunidade do Bairro do Açude, Zé Doninha tinha uma grande paixão. Não sei se pelo bairro ou por alguma mulher. O certo é que num desses dias loucos da vida, Doninha deve ter feito alguma presepada por lá, ao ponto da polícia ter ido ao local prendê-lo. Quando os soldados passaram em frente à Casa Paroquial, o padre Antas conversou com eles para liberar seu Doninha. Os policiais atenderam prontamente ao pedido do padre, que perguntou o motivo da prisão. Zé Doninha explicou:"Padre Antas, eu lhe respeito muito. Mas, samangos me levem preso. Dura lex sed lex. A lei é dura , mas é lei. Me prendam que eu errei". Imagine como ficou o padre.

Zé Doninha fazia humor típico de uma pessoa respeitável e que sua resposta era rápida e convincente. É de lembrar que na sua humildade, nos seus defeitos e nas suas virtudes, era uma figura doce e simpática. Fazia com que nós sentíssemos uma certa infância nostálgica e feliz, ouvindo as suas palavras e o seu 'bá'.

Morreu, faz anos, e levou consigo um bocado de segredo e de mistério de sua vida. Como aprendeu a ler? Como sabia um pouco do latim? Como entendia algo de inglês, e o português? Como entedia o espaço geográfico? Quem ensinou a esse 'mestre' alguns segredos da matemática? e da geometria?. Só os Deuses da sabedoria respondem.

Já não se escuta o 'bá' de Zé Doninha há algumas décadas. Na carpintaria era um grande mestre. Bá!

                                          Marcos Calaça, jornalista (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 01h51
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LUCILDO CÂMARA:

DEVO PARTE DA MINHA FORMAÇÃO ACADÊMICA A DONA RAIMUNDINHA

Grande Marcos, li a merecidíssima homenagem que você postou no seu blog, à nossa querida e eterna Diretora Dona Raimundinha. Deus me deu esse privilégio de tê-la como Diretora. Estudei no Grupo Escolar Prof. Abel Furtado onde muito aprendi com os seus ensinamentos, hoje ainda me lembro daqueles tempos áureos. Pedro Avelino deve muitas homenagens a essa figura humana que ela sempre foi. Quando Diretora era muita exigente com nós alunos, sendo que toda essa exigência era para o nosso bem. Devo parte da minha formação acadêmica a essa grande pessoa, digo mais, não só eu, mas grande parte da minha família.

Abraços do amigo Lucildo Câmara.
Lucildo Câmara | lucildocamara@hotmail.com



Escrito por MARCOS CALAÇA às 19h55
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O PASSADO DA NOSSA TERRA DEVE SER INFORMADO AOS JOVENS

MÉDICA EDNA TRINDADE: LINDA HOMENAGEM A TIA RAIMUNDA

Quando éramos crianças não se podia falar de um passado de chumbo. Esta conduta impregnou-se a os legisladores e hoje nossa geração que deveria estar fazendo o papel de informar aos jovens o passado de sua terra, seja estado, cidade ou nação, apenas assiste o tempo passar porque não adquiriu a capacidade de mater vivo o passado do Brasil.

Linda homenagem a tia Raimunda.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 19h54
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ANA CLÁUDIA, FILHA DE MACÁRIO, ELOGIA O CRONISTA E PARABENIZA DONA RAIMUNDINHA

Querido jornalista, merecedora homenagem a dona Raimundinha. Agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de tê-la como minha diretora. Estudei no Abel Furtado e muito aprendi com os ensinamentos da nossa querida dona Raimundinha. Sinto muitas saudades daquele tempo que ficarão para sempre na minha memória. Mais uma vez te parabenizo pela sua maravilhosa crônica e me orgulho muito de ser sua amiga e com toda certeza quando resolveres editar o seu livro estarei lá na tua noite de autógrafos.

Marcos, deixo para sua meditação: "Não despreze o dom que há em ti." (I Timoteo-4:14). Que o senhor continue te abençoando.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 19h46
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REPUBLICADO
MINHA ETERNA DIRETORA
Marcos Calaça, jornalista (UFRN)
 
            Na comemoração dos 50 anos da emancipação política de Pedro Avelino nada se tem falado do cordão umbilical de Raimunda Medeiros com o Grupo escolar Abel Furtado (isso mesmo) e a maternidade Governador Aluízio Alves.              
             O Abel Furtado, como esquecê-lo, nessa época em que se procura resgatar pouca coisa na poeira do tempo? essa escola pública, por onde passaram inúmeras gerações, como médicos, educadores, engenheiros, jornalista  e outros que se perderam no tempo e no espaço.
               Quando cheguei ao Abel  (me orgulho de ter passado por esse grupo), no final dos anos 60, ainda criança, encontrei pessoas inesquecíveis. Professores, funcionários,alunos. Todos me marcaram na fase de minha formação primária. Mas, quem me marcou profundamente pelos seus exemplos, pela sua presença respeitável, foi a diretora Raimunda Medeiros. Ela era temida pelos estudantes. Carinhosamente chamada de dona  Raimundinha. Quando saía da direção para advertir ou repreender algum aluno que fizesse algazarra, a correria da meninada era grande. Ela ganhou fama pela autoridade sem autoritarismo. Mas nós sabíamos da grandeza do seu coração de mulher ligada por poucos metros entre a educação( Abel ) e a saúde ( maternidade ). 
                 Ainda hoje, nas madrugadas de insônia, reflito muito sobre o passado escrevendo crônicas no mundo de criança que amadureceu. Dona Raimundinha é uma figura que esteve presente em toda a minha vida  educacional do antigo curso primário. Como respeitei, temi, tive medo e estimei, que na realidade era uma mulher cheia de amor, responsabilidade com visão de futuro para os seus queridos alunos. Ninguém seria capaz de ultrapassar  aquela balaustrada para invadir o nosso território, que encontraria pela frente a nossa diretora, para defender a integridade física dos nossos domínios através de um espaço geográfico delimitado.
                  Nas questões internas o aluno nunca tinha razão, em primeiro plano estava a professora. Era uma estratégia de manter o rígido controle da disciplina, numa época em que a educação familiar dominava o jovem ou a criança através de uma forte conduta moralizadora. 
                   Figura marcante, espírito forte, carismática, respeitada e respeitadora, inflexível nas suas ações para o melhor. Tivemos alguns momentos épicos , como o lado patriótico,independente do regime militar. Todos os dias a fila dos alunos era obrigatória no salão, depois é que se dirigiam para as suas respectivas salas de aula. Toda quinta-feira , antes do início das aulas, era obrigatório o Hino Nacional, da Bandeira, da Independência  e outros que não me recordo. Qualquer erro era fatal., exemplo: " Do que a terra mais garrida", alguns estudantes cantavam por erro ou por presepada " Do que a terra margarida". Nesse caso dona Raimundinha perdia o controle emocional com os que não cantavam  corretamente. Ela mandava repetir novamente. Caso algum aluno errasse, iria para a direção copiar várias páginas do livro "Terra Potiguar".
                    Outro momento lúdico era o desfile de 7 de setembro: organização, fardamento, respeito, alegoria, bateria , homenagens e coreografia. Tudo perfeito. A grande ilusão era dizer que vencemos o desfile sem nunca ter havido comissão julgadora ou classificação. No final do ano, ao receber o diploma de aprovação, entrávamos em um momento êxtase de alegria e felicidade.
                     Sim, tinha o lado do perigo. Era proibido correr em cima dos muros ( muros esses que eu tinha medo, pela altura ) e subir nas cisternas. A nossa querida diretora também se preocupava com as chuvas devido à sangria do barreiro de Geraldo Antas que, com a correnteza, tínhamos medo de atravessar um pequeno riacho. Esse mesmo local servia para a espera de uma briga: eu te pego lá no riacho. Outra preocupação para a diretora. 
                      É impressionante como as novas gerações desconhecem a história de grandes figuras pedro- avelinenses. Por um lado existe o total desinteresse dos jovens, por outro lado, falta apoio cultural por parte dos órgãos públicos para quem produz cultura. Bons tempos aqueles em que eu pisei o chão glorioso do Abel Furtado com dona Raimundinha no comando. Esse " grupo " está na história  da cidade, principalmente, com dona Raimunda Medeiros. Obrigado.


Escrito por MARCOS CALAÇA às 08h31
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SONHEI: 'CASA DA CULTURA POETA IBANI COSTA'

HOJE É DIA DA POESIA

COMO O NOSSO QUERIDO PADRE ANTAS É 'HORS CONCOURS', ENTÃO O MAIOR POETA DO NOSSO TORRÃO É IBANI COSTA. POR ISSO, ESTAMOS PUBLICANDO ALGUMAS DE SUAS POESIAS PARA HOMENAGEAR A SUA FAMÍLIA E A NOSSA CIDADE. CREIO QUE NO DIA EM QUE O NOSSO MUNICÍPIO INAUGURAR UM CENTRO CULTURAL OU A CASA DA CULTURA, CERTAMENTE A PESSOA MAIS INDICADA É O NOSSO POETA MAIOR: IBANI COSTA.

 

PADRE ANTAS

IBANI COSTA

Eu sou a pedra que virou rochedo,

Eu sou o medo transformado em festa,

Eu sou a fresta que guardou o credo

Arvoredo de Deus, no céu floresta.

Manifesta-se em mim, desde bem cedo

Sacro triângulo de infinita aresta.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h24
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O PESCADOR

IBANI COSTA

Soprava o vento as palhas de um coqueiro

Saudando alegre um barco que partir,

Levando um forte homem que queria,

Buscar no mar o pão p'ro lar inteiro.

 

Na concha azul a ave que voava,

Deixou cair um beijo com doçura,

Abençoando aquela criatura,

Buscando longe o pão que lhe faltava.

 

E em mágicos deslizes o bailado,

Da onda mansa carregava um bravo,

Que se tornou do mar fiel escravo,

Devido ao seu amor ao lar sagrado.

 

Uma criança frágil de seis anos,

Com a magra mão acenos lhe enviava,

E ao coração baixinho murmurava:

"Volte logo, papai, nós esperamos".

 

Nem do lugar mais alto de um monte

Se via mais o homem do barquinho,

Pois não passava de um banal pontinho,

Perdido no infinito do horizonte.

 

Passaram-se três dias de repente,

Um ponto vem crescento já de volta,

A vela do barquinho ao vento solta,

Tornou-se rubra como no poente.

 

A mãe e o filho a sorrir correram,

Para abraçar o homem que voltava,

Sem reparar que o mar triste chorava,

E o coqueiral dorido emudecera.

 

O frio vento que parou com as horas,

Sussurrou algo, e aquela que corria,

Caiu por terra, e o filho lhe dizia:

Por que choras mãezinha, por que choras?

 

Seu pai, meu filho, partiu num barquinho,

Já fez três dias eu o esperava,

Para ele todo dia eu rezava,

E o barco triste encostou sozinho.

 

Ibani Costa (1957-1977). Nasceu em Pedro Avelino-RN,

ganhou o festival popular de música em Belém do Pará

em 1974. Faleceu muito jovem tragicamente em Natal.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h21
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O poeta Ibani Costa fez essa linda homenagem a Chico Câmara, em 1976.

O FOLHETO DO BARÃO

Vou pedir a proteção,

Aos Deuses da poesia,

Para descrever em versos,

Por caminhos adversos,

Tudo quanto ali porfia,

Que o nosso povo vem tendo,

O pão do diabo comendo,

Sem ter consolo nem guia.

 

Já tivemos muitas secas,

Muita gente já faliu,

Já perdeu propriedade,

Ficou velho antes da idade,

Mas seu Chico não caiu,

Olhando firme o seu rumo,

Faz seu cigarro de fumo,

Já é tarde já cuspiu.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h15
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.MLPA: MOVIMENTO PARA A LIBERTAÇÃO DE PEDRO AVELINO. Ano: 1976.

Hino do poeta Ibani Costa.

HINO DO MOVIMENTO

Eme ele pe a

Juventude pra lá

De leal e de amiga

E de grande valor.

II

Eme ele pe a

Não podia deixar

De aqui reunir

Todo seu pessoal.

III

Simbora, meu caro estudante

Há um movimento te chamando ali.

A turma arregassou as mangas

E partiu pra luta pra não desistir.

IV

Me traga um poeta por favor

Eu quero lhe falar coisas de amor,

Eu quero é ver o sol brilhando

Em minha vida com amor e paz.

V

Mas agora guarde o resto das esmolas

Se ajeite e vá embora

E dê a quem necesssitar.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 11h14
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DIA DA POESIA: QUE SAUDADE!

POÇO DO MACHADO

Marcos Calaça, jornalista (UFRN)

 

TOMEI MUITO BANHO NESSE POÇO,

VIVIA NUMA ILUSÃO SEM FIM

PULANDO DAS PEDRAS

COMO SE FOSSE TRAMPOLIM.

 

NA INVERNADA ERA MUITA ALEGRIA,

QUANDO A ÁGUA DO RIO BAIXAVA

O POÇO DO MACHADO ENCHIA,

E A MENINADA SE DIVERTIA.

 

NO REMANSO, ERA UMA TRANQUILIDADE

TOMAR BANHO NO MACHADO,

QUE ERA O LUGAR MAIS DISPUTADO

PELA MENINADA DO SERTÃO TORRADO.

 

UM MERGULHO NO POÇO SE ESTENDIA,

PARA CAPTURAR A 'GALINHA GORDA'

QUE A GAROTADA ESCONDIA,

VAMOS A ELA, A GENTE DIZIA.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 10h47
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DIA DA POESIA

PEDRO AVELINO RN

SOU MEU TORRÃO SOU SAUDADE

Sou meu torrão sou saudade

Das noites de São João,

Das festas do padroeiro

Dos trens e da estação.

 

Sou meu torrão sou saudade

Da chuva e do sapo cururu,

Batata doce e carne de sol

Cachaça boa e caju.

 

Sou meu torrão sou saudade

Do Country Club e muito mais,

Praxedes, Heitor e a banda do 16

Tocando os velhos carnavais.

 

Sou meu torrão sou saudade

Da missa na matriz,

Do cinema paroquial

Do banho no chafariz.

 

Sou meu torrão sou saudade

Do velho pé de umbuzeiro,

Brincar de piquenique

Na sombra do juazeiro.

 

Sou meu torrão sou saudade

De Pedro de Elvira e seu violão,

Tocava para a sociedade

Para o rico e o povão.

 

Sou meu torrão sou saudade

Com vontade de voltar,

Brincadeiras de infância

Talvez quando me aposentar.

 

Sou meu torrão sou saudade

Da divulgadora municipal,

Chico Locutor no comando

Grande lembrança sentimental.

 

Sou meu torrão sou saudade

Da batida nos trilhos,

Era Luís Bambão

Chamando um de seus filhos.

 

Sou meu torrão sou saudade

Dos campos de futebol,

Acabou-se tudo

Até o canto do rouxinol.

 

Sou meu torrão sou saudade

Da sede de Antônio Clementino,

Aos sábados, Flamengo, bar e forró

Homem e mulher, só não entrava menino.

 

Sou meu torrão sou saudade

Do cheiro de marmeleiro,

Brincava com nota de cigarro

E galinha de pereiro.

 

Sou meu torrão sou saudade

Da riqueza do algodão,

Chegou a praga do bicudo

Empobreceu o nosso sertão.

 

Sou meu torrão sou saudade

Do grupo escolar,

No Abel Furtado

O negócio era brincar e estudar.

 

Sou meu torrão sou saudade

Do velho curso ginasial,

Estudava no Paulo VI

Lembrança de valor cultural.

 

Sou meu torrão sou saudade

Daquele que mais consultou,

Fora Jesus Cristo

Zelito foi o que mais salvou.

 

Sou meu torrão sou saudade

Dessas lembranças constantes,

Assim fazendo cultura

Apelo para os governantes.

                    Marcos Calaça, jornalista (UFRN)



Escrito por MARCOS CALAÇA às 10h21
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ANA CLÁUDIA, FILHA DE MACÁRIO, ELOGIA O CRONISTA E PARABENIZA DONA RAIMUNDINHA

Querido, merecedora homenagem a nossa querida D. Raimundinha, agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de tela como minha Diretora. Estudei no Abel Furtado e muito aprendi com os ensinamentos da nossa querida Raimundinha, sinto muitas saudades daquele tempo, que ficarão para sempre na minha memória. Mais uma vez te parabenizo pela sua maravilhosa crônica, me orgulho muito de ser sua amiga e com toda certeza quando resolveres editar o teu livro estarei lá na tua noite de autógrafos. Marcos deixo para sua meditação: " Não despreze, o dom que há em ti." (I Timóteo-4:14). Que o Senhor continue te abençoando.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 08h03
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REPUBLICADO
MINHA ETERNA DIRETORA
Marcos Calaça, jornalista (UFRN)
 
            Na comemoração dos 50 anos da emancipação política de Pedro Avelino nada se tem falado do cordão umbilical de Raimunda Medeiros com o Grupo escolar Abel Furtado (isso mesmo) e a maternidade Governador Aluízio Alves.              
             O Abel Furtado, como esquecê-lo, nessa época em que se procura resgatar pouca coisa na poeira do tempo? essa escola pública, por onde passaram inúmeras gerações, como médicos, educadores, engenheiros, jornalista  e outros que se perderam no tempo e no espaço.
               Quando cheguei ao Abel  (me orgulho de ter passado por esse grupo), no final dos anos 60, ainda criança, encontrei pessoas inesquecíveis. Professores, funcionários,alunos. Todos me marcaram na fase de minha formação primária. Mas, quem me marcou profundamente pelos seus exemplos, pela sua presença respeitável, foi a diretora Raimunda Medeiros. Ela era temida pelos estudantes. Carinhosamente chamada de dona  Raimundinha. Quando saía da direção para advertir ou repreender algum aluno que fizesse algazarra, a correria da meninada era grande. Ela ganhou fama pela autoridade sem autoritarismo. Mas nós sabíamos da grandeza do seu coração de mulher ligada por poucos metros entre a educação( Abel ) e a saúde ( maternidade ). 
                 Ainda hoje, nas madrugadas de insônia, reflito muito sobre o passado escrevendo crônicas no mundo de criança que amadureceu. Dona Raimundinha é uma figura que esteve presente em toda a minha vida  educacional do antigo curso primário. Como respeitei, temi, tive medo e estimei, que na realidade era uma mulher cheia de amor, responsabilidade com visão de futuro para os seus queridos alunos. Ninguém seria capaz de ultrapassar  aquela balaustrada para invadir o nosso território, que encontraria pela frente a nossa diretora, para defender a integridade física dos nossos domínios através de um espaço geográfico delimitado.
                  Nas questões internas o aluno nunca tinha razão, em primeiro plano estava a professora. Era uma estratégia de manter o rígido controle da disciplina, numa época em que a educação familiar dominava o jovem ou a criança através de uma forte conduta moralizadora. 
                   Figura marcante, espírito forte, carismática, respeitada e respeitadora, inflexível nas suas ações para o melhor. Tivemos alguns momentos épicos , como o lado patriótico,independente do regime militar. Todos os dias a fila dos alunos era obrigatória no salão, depois é que se dirigiam para as suas respectivas salas de aula. Toda quinta-feira , antes do início das aulas, era obrigatório o Hino Nacional, da Bandeira, da Independência  e outros que não me recordo. Qualquer erro era fatal., exemplo: " Do que a terra mais garrida", alguns estudantes cantavam por erro ou por presepada " Do que a terra margarida". Nesse caso dona Raimundinha perdia o controle emocional com os que não cantavam  corretamente. Ela mandava repetir novamente. Caso algum aluno errasse, iria para a direção copiar várias páginas do livro "Terra Potiguar".
                    Outro momento lúdico era o desfile de 7 de setembro: organização, fardamento, respeito, alegoria, bateria , homenagens e coreografia. Tudo perfeito. A grande ilusão era dizer que vencemos o desfile sem nunca ter havido comissão julgadora ou classificação. No final do ano, ao receber o diploma de aprovação, entrávamos em um momento êxtase de alegria e felicidade.
                     Sim, tinha o lado do perigo. Era proibido correr em cima dos muros ( muros esses que eu tinha medo, pela altura ) e subir nas cisternas. A nossa querida diretora também se preocupava com as chuvas devido à sangria do barreiro de Geraldo Antas que, com a correnteza, tínhamos medo de atravessar um pequeno riacho. Esse mesmo local servia para a espera de uma briga: eu te pego lá no riacho. Outra preocupação para a diretora. 
                      É impressionante como as novas gerações desconhecem a história de grandes figuras pedro- avelinenses. Por um lado existe o total desinteresse dos jovens, por outro lado, falta apoio cultural por parte dos órgãos públicos para quem produz cultura. Bons tempos aqueles em que eu pisei o chão glorioso do Abel Furtado com dona Raimundinha no comando. Esse " grupo " está na história  da cidade, principalmente, com dona Raimunda Medeiros. Obrigado.


Escrito por MARCOS CALAÇA às 17h44
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TÚNEL DO TEMPO

Marcos Calaça, jornalista (UFRN)

Manhã alegre aquela que vi algumas coisas de minha infância em Pedro Avelino. A vida tem sido comigo maravilhosa, principalmente, escrevendo crônicas voltadas para um passado feliz, um saudosismo lindo.

Numa dessas eleições da vida, retornei ao Grupo Escolar Abel Furtado, onde estudei o antigo curso primário e lembrei de muitas coisas boas. As salas de aula; o pátio do recreio; o velho campo de futebol, com pedras e tocos que arrancaram muitas cabeças de dedo; as imensas pedras pelo lado de fora; as velhas algarobas e outras coisas diferentes. Por outro lado, não temos mais a passagem do trem de carga, que contávamos o número de vagões, e também desapareceram a cisterna e o que chamávamos de escorrego, que na verdade era um batente inclinado na casinha da escola. Uma pena. Não sabia que essa 'visita' iria colocar o ontem no hoje.

No recreio, sopa de bugó. Na entrada do grupo a meninada vendia poli, pirulito e outras guloseimas. Alguns garotos  participavam de brincadeira de tica na turma dos pequenos. Imagine um dia qualquer no ano de 1971 num vai e vem, há um choque na indecisão, entre eu e Iran Pereira Pinto (Iran de Zé Leôncio) que participava no tica dos alunos maiores, testa contra nariz. Iran foi direto para a maternidade e, por isso, até hoje fala fanhoso. O detalhe é que Edcleiton começou a me 'aperrear', dizendo:'eita, Iran vai morrer'. Fiquei nervoso e chorei muito.

O medo de andar em cima do muro era grande, pois eu achava essa 'muralha' muita alta e é incrível que muitas crianças corriam nesse paredão. Qualquer confusão, alguém dizia:'te pego lá no riacho de Geraldo Antas'. Ao chegarem nesse pequeno córrego, um moleque passava um risco no chão que simbolizava uma das mães. O que apagasse ou cuspisse o traço primeiro, estava xingando a mãe do outro. E a briga estava formada.

E as professoras? isso é outra crônica.

Saudade, um vazio que fabrica lembranças.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 16h26
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CAMPINHO DA ESTAÇÃO

Marcos Calaça, jornalista (UFRN)

Coisa esquisita é esse campo abandonado

Entre a usina e a estação, também,

Que jogávamos bola

E a alegria era: lá vem o trem.

 

Local de vento e poeira

Da velha bola canarinho

Os meninos cresceram

Acabou-se o campinho.

 

Garotos que ouviam um apito

E corriam para o calçadão,

Foram embora o campo e o trem

Seu Braga e a estação.

 

Por onde andarão os meninos

Que caminhavam na linha do trem?

Na efêmera poesia do campo?

Pois na estação não tem mais ninguém.

 

Com esses pequenos versos, eu estou homenageando os amigos adultos, que eram crianças da estação no ano de 1973. Época que morei na rua Epitácio Pessoa. Doce lembrança de um passado lindo: campo, estação e trem. Ambos se acabaram.



Escrito por MARCOS CALAÇA às 16h28
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VELHOS CARNAVAIS

FABÍULA RUFINO: TEMPOS BONS QUE NÃO VOLTAM MAIS

Meu compadre, participei sim deste carnavais. Brincava nos chefões. Realmente tempos bons que não voltam mais. Perfeita sua colocacão. Heitor mora perto de mim e sempre que a gente se encontra ele fala nos carnavais de Pedro Avelino.
Fabiula | fabiularufino@bol.com.br |



Escrito por MARCOS CALAÇA às 15h27
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PROFESSOR JÚNIOR XAVIER COMENTA 'VELHOS CARNAVAIS'

Caro amigo marcos, que saudades dos grandes carnavais da nossa querida Pedro Avelino, digo isto por que ainda participei dos últimos carnavais no início dos anos 80, é como você diz: será que não se pode elaborá um repertório que agrade as coisas boas do passado e o carnaval moderno?. Que saudades das Marchinhas e do Frevo que ainda animam os carnavais do Rio de Janeiro e Recife.
  Jose Xavier da Costa Júnior 



Escrito por MARCOS CALAÇA às 17h21
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